Um super-herói mostra como lutarmos da forma mais humana.

Criado por aquele que é considerado o Rei dos Quadrinhos, Jack Kirby, cofundador do universo de heróis da Marvel, em 1971 havia brigado com a Casa Das Ideias e então decidiu ir para concorrente direta, a Casa Das Lendas, DC COMICS.
Lá Kirby começou um projeto muito ambicioso é extremamente criativo; uma mitologia para os tempos modernos. Um legião de mitos para o mundo o homem havia pisado na lua, vindo direto das paginas dos quadrinhos para a mente do leitor.
Esse projeto havia 4 revistas que tinha suas histórias interligadas comandadas por ele: NEW GODS, MISTER MIRACLE, FOREVER PEOPLE E SUPERMAN’PAL JIMMY OLSEN.
Com essas revistas e uma liberdade criativa que lhe deram, Kirby criou conceitos que até hoje são usados por todos no universo DC. Não tem ninguém que leia gibi ou até a mais pura fantasia que não conheça o trabalho que Kirby e fez e diga, “aqui há imaginação pura”. Jack Kirby era um poço de ideias, mesmo a mais pobre de suas ideias são usadas.
Mister Miracle (ou Senhor Milagre) foi uma das ideias que talvez seja a mais estranha e inventiva que Kirby teve.
Pense assim; um super-herói, filho de um Deus que lidera um paraíso galáctico é usado como moeda de troca para uma trégua e assim sendo criado no inferno e levando a alcunha de filho do diabo para o resto da vida; e tem como super poder escapar, sim, simplesmente escapar dos lugares ou qualquer coisa lhe prende.
Isso sem falar da Grande (literal) esposa que ele tem.
Como isso deu certo?
No Inicio até que não foi lá uma grande coisa, mas hoje é lembrado com carinho graça a obra de outro escritor e dessa que estou querendo falar.
SENHOR MILAGRE, DE TOM KING E MITCH GERADS.
Publicado originalmente em 12 edições entre 2017 e 2019 a minissérie e considerada por muitos umas das melhores obras lançadas pela editora nos últimos anos.
A obra escrita por TOm king e desenha de forma anormal, e espetacular, por Mitch Gerads. Ela conta a história do super escapistas, do fenomenal, e sensacional e incrível Senhor Milagre enfrentando o pior dos seus problemas.
A história parte de uma cena que todos que leram ou não leram, mas viram, aquela cena na qual temos Scott Free, o superescapistas, o herói, sentado no chão de seu banheiro, usando seu uniforme e ambos os pulso cortados.

Desse momento adiante seguimos ele e a sua esposa tentando lidar com as consequencias de seu ato, ao mesmo tempo que deve lutar numa guerra entre o mundo, o inferno, Apokolis, e o mundo em que nasceu, Nova Gênesis. Guerra essa que iniciou a pois a morte do pai legitimo de Scott, O pai celestial.
Não temos lutas épicas, massacre que chegam a ser pornográficos de tão explícitos, mas lutas internas de Scott, ele mesmo e seu irmão adotivo, Orion.
Seguimos para o momento que supostamente, Darkseid está com equação anti-vida, e Darkseid é…
A EQUAÇÃO ANTI-VIDA
Confesso que é difícil achar uma definição certa para esse conceito criado por Jack Kirby pois, como falei no inicio e como muitas coisas que ele criou foram desenvolvidas e ampliadas por outros autores ao passar dos anos.
Já equação anti-vida até hoje é um conceito que não conseguem achar uma definição certa, pois por muito tempo tiveram adaptações e interpretações dele, mas ainda assim sendo usado como um grande arma de controle.
Para Kirby e sua critica ao totalitarismo simbolizadas pelas figuras de Darkseid e seu planeta infernal Apokolips, a equação anti-vida era um ideologia, um lema que era usado pelo vilão.
Liberdade é uma ilusão.
Esperança é inutil.
Submissão é inevitável.
Já outros autores fizeram da equação uma formula de matématica.
SOLIDÃO+ALIENAÇÃO+MEDO+DESESPERO-ALEGRIA-AMOR-ESPERANÇA=ANTI-VIDA.
Outra versões trazem o conceito da forma que a história precisa; temos a equação como um vírus, outras como uma emoção da massa. Já na minissérie de Tom King, temos ela como uma doença e também uma paranoia.
Quando descobre que Darkseid tem a equação anti-vida, Scott começa a pensa que seu pai adotivo está usando ela nele. Ao mesmo tempo que tem que enfrentar as consequências psicológicas da sua tentativa de suicídio, ele vai conversar com seu irmão, Orion e desabafa.
Orion, seu irmão adotivo, mas também naquele momento Deus da Nova Gênesis, pois ele era filho do Pai Celestial, ele acaba dando um surra em Scott e o levando para julgamento.
Não quero detalhar muito a história e estou levando alguns conceitos e pontos aqui para desenvolver aquilo que trago no titulo desse artigo, mas, meu irmão! que edição é essa do julgamento.
Um julgamento feito guiado por verdadeiro ou falso. Orion faz algumas perguntas e Scott responde com verdade ou falso. Perguntas como:
Você está com equação anti-vida?
Você é traidor de Nova Gênesis?
Você agente duplo de Apokolips?
Você é agente de Darkseid?
Darkseid é.
E medida que ele não responde, no fim, acaba sendo condenado ao morte.
Confesso que minha intenção aqui não ficar falando da história, mas levantar esse pontos trás uma base para aquilo que eu quero falar. Não sou critico, só meramente um leitor. Vi, não sou o único vejo isso, que essa obra tem camadas e mensagens muitos fortes e quando achei essa mensagem eu vi confesso que me atingiu e olha eu levo até hoje.
Mas calma, primeiro preciso falar dela.
GRANDE BARDA
Grande Barda é incrivelmente linda, espetacular e genial. Sem ela a história não seria igual.
Sendo inspiração direta a esposa de Kirby, Roz Kiirby, mas também reflexo do soldado de guerra que endurece após a guerra.
Barda não é mocinha em perigo, ela é durano, resistente. Enquanto seu marido rompe, ela quebra e faz muito barulho.
Na minissérie, a gente vê uma Barda sensível, frustrada e preocupada com o marido. Mesmo assim, sem tirar o lado forte, resistente e até leve da personagem.
Após a condenação de Scott, passamos os últimos dias dele na terra. Juntos, eles vão ao parque, andam pela praia, visitam o túmulo e Jack Kirby e fazem amor com os uniforme, apreciando a única coisa que lhe sobra, o amor.
Sim, a condenação ainda está ali, a morte é certa, então vamos curtir um pouco nosso amor, nosso relacionamento.
Darkseid é…
Vá no google, tradutor, inglês para português, coloque DARK-SIDE no inglês e automaticamente no português vai sair LADO SOMBRIO. Se você colocar Darseid, o google vai te corrigir, mas é normal confundir é acabar falando Dark – Side invés de Dark-Seid. Porém, não acho nenhum registro, mas parece que foi de caso pensado.
Veja, bem, Darkseid foi um personagem criado por Kirby para ser a figura do totalitarismo, o ditador, o tirano do inferno. Não atoa sua sua pele remete a pedra; cinza, rígida, assim como seus ideias.

Para Kirby e vários outros autores, Darkseid é personificação do totalitarismo, do fascismo. Já na minissérie aqui abordado ele seria o trauma, a passado sofrido, sombrio que Scott e Barda tem que enfrentar.
Darkseid é o trauma, não a doença, mas a razão pela doença existir.
Por vários momentos temos essa mensagem vindo nas paginas.
Darkseid é.
Darkseid é.
Darkseid é.
Porém, fica a intepretação do leitor, o que Darkseid é? Porém não se explica. Mas pela insistência que temos nessa frase no decorrer das edições vimos que Darkseid é algo onipresente, que sempre vai estar ali, que mesmo quando não queremos, ou estamos longe, Darkseid é o passado que levamos para tumulo, está colado conosco para o resto de nossas vidas.
Porém, uma chega, um momento em que devemos enfrentar o que ele. E esse momento, bem chegou para Scott.
No decorrer da série Grande Barda fica grávida. De inicio é uma alegria, que coisa boa, porém algo ruim vem. A tal guerra não parou, Orion, por motivos que não aqui, morre e agora Scott Free é o novo Pai Celestial.
A guerra, bem, Scott quer terminar com uma nova trégua. Mas como, o que devemos fazer para que essa trégua aconteça? Bem, muito simples; Scott Free dê seu filho como moeda para trégua
Dando a criança, Darkseid vai recuar, não irá mais atacar é melhor, dará o controle, a equação anti-vida.
Uma acordo de trégua justo; uma das mais poderosas armas do universo, pela qual você conseguirá controlar mundos, em troca seu filho, que naquele momento ainda é uma criança para ser criado da mesma forma que você fui criado.
Scott pira. Eu salvarei o mundo, eu trarei a paz ao universo, destruir a arma de controle. Mas é meu filho, fruto do amor meu é de minha mulher.
O passado se repetindo. O que fazer?
Como não escapar.
Como? Simples. Enfrentando.
Scott e Barda aceitam entregar o pequeno para o seu avó adotivo. Levam num carrinho, junto com uma cesta de frios. Clima estranho, tenso, Scott entrega o filho…

Porém, algo acontece, Barda ataca, Scott pega a criança, Barda faz aquilo que foi criada, mete a porrada, mas não é ela que tem que agir é Scott, ele é aquele que tem lutar, enfrentar o passado. Então Scott enfrenta, age, pega uma faca escondida magicamente na cesta de frios. 1, 3, 6, o sangue começa escorrer. Darkseid agora está morto.
Então o que fazer? Scott tem o dever de escolher. Então ele escolhe… ele volta para casa e decide viver sua vida normalmente.
Mas espera, só isso? Mas o resto do universo?
Num momento Scott tem a oportunidade de ir, ao que parece, para o mundo dos herois, porém ele não, volta para sua casa, Barda, show e o bebê. Por que? Ele não estava querendo fugir disso no ínicio da minissérie.
Sim, mas Scott cresce percebe. Não adianta fugir, tentar se esconder ou ficar figindo que não existe. Tem que enfrentar, lutar. Escapar é uma opção, mas aqueles que você ama, como ficará?
Fugir é um ato de egoismo. Então lutar é a melhor forma.
Aprendemos então que enfrentar, mostrar os dentes e olhar com cara feia, como se fosse uma briga. E a melhor forma de fugir, pois quando terminar você estará livre.
